Zubeldía perde do Vasco pela quarta vez no Maracanã e recorde de público testemunha nova eliminação tricolor

O técnico Luis Zubeldía sofreu a quarta derrota para o Vasco no Maracanã desde que assumiu o Fluminense. A última ocorreu nesta quarta-feira (5/8), quando o Cruz-Maltino venceu por 3 a 1 e eliminou o Tricolor nas oitavas de final da Copa do Brasil. Das seis vezes em que o treinador argentino saiu derrotado do estádio à frente do Flu, quatro terminaram com festa vascaína.
O retrospecto de Zubeldía no Maracanã segue favorável no geral. Em 37 partidas disputadas no estádio desde que chegou ao Fluminense, a equipe conquistou 25 vitórias, seis empates e sofreu apenas seis derrotas no tempo regulamentar. Contra o Vasco, porém, o aproveitamento é diferente: além da eliminação desta quarta-feira, o Flu perdeu para o rival pelo Brasileirão 2025, na semifinal da Copa do Brasil 2025 e novamente pelo Brasileirão 2026. As outras duas derrotas no Maracanã foram contra Flamengo pelo Brasileirão 2026 e Independiente Rivadavia pela Libertadores.
Na partida desta quarta-feira, Brenner marcou duas vezes para o Vasco. Martinelli descontou para o Fluminense, mas Puma Rodríguez fechou o placar em 3 a 1 nos acréscimos. O resultado garantiu a classificação vascaína às quartas de final da Copa do Brasil e confirmou a segunda eliminação seguida do Fluminense para o rival na competição.
O confronto registrou o maior público da Copa do Brasil 2026. Segundo o ge.globo, o Maracanã recebeu 45,1 mil pagantes e 48,7 mil presentes, com renda de R$ 3,2 milhões — também a maior da competição. O recorde anterior pertencia a Flamengo 2 x 1 Vitória, pela quinta fase, com 41,1 mil ingressos vendidos.
Dois jogadores do Fluminense acumulam eliminações para o Vasco na Copa do Brasil. Em publicação no X, o perfil NewsColina (@newscolina) destacou que Thiago Silva foi eliminado pelo Cruz-Maltino três vezes no torneio: em 2006, 2025 e 2026. Já o perfil Mídia Vascaína (@midiavascaina) lembrou que Agustín Canobbio sofreu a terceira eliminação seguida para o Vasco na competição — em 2024 defendendo o Athletico-PR, e em 2025 e 2026 pelo próprio Fluminense.
## Análise Expresso98
O Vasco voltou a fazer do Maracanã uma fortaleza contra o rival Fluminense e carimbou, pela segunda vez seguida, a eliminação tricolor na Copa do Brasil — a quarta derrota que Luis Zubeldía amarga para o Cruz-Maltino no estádio desde que assumiu o Flu. O triunfo por 3 a 1, com dois gols de Brenner e um de Puma Rodríguez nos acréscimos, garantiu vaga nas quartas de final e ainda bateu o recorde de público da competição em 2026: 45,1 mil pagantes, 48,7 mil presentes e R$ 3,2 milhões de renda. Para um clube que vive momento delicado no Brasileirão — 18º colocado, com 21 pontos em 20 jogos e série de cinco derrotas consecutivas no geral —, a resposta em clássico decisivo mostra que o elenco ainda responde quando o peso da camisa pesa mais que a pressão da tabela.
O que joga a favor do Vasco é justamente essa capacidade de se reerguer em jogos grandes. A classificação sobre o Fluminense reafirma o DNA vascaíno de decisão e o vínculo emocional com a torcida — o recorde de público não foi acaso, foi combustível. Além disso, a comissão de Pedro Emanuel tem implementado ajustes táticos importantes, como o treino específico de bola parada defensiva no aquecimento pré-jogo, abordagem que não se via com os treinadores recentes. O técnico português trabalha posicionamento, balanço defensivo e transição no CT Moacyr Barbosa, sinais de organização que podem render frutos quando a confiança voltar. A presença de dois gols de Brenner — finalmente mostrando faro artilheiro — e a entrega de Puma Rodríguez, que selou a vitória em meio a drama pessoal (seu pai está internado lutando pela vida após infarto grave), mostram que há alma neste grupo.
O que preocupa, e não dá para ignorar, é a situação no Brasileirão. Cinco derrotas seguidas no geral colocam o Vasco em risco real de rebaixamento, e a partida contra o Bahia, fora de casa, exigirá muito mais do que o espírito de clássico. Pedro Emanuel ainda convive com apenas cinco volantes no elenco e vê o ataque como sua principal dor de cabeça desde o retorno da Copa do Mundo — o clube avalia reforços como Colidio (prioridade), Jhon Córdoba, Brian Rodríguez e até o paraguaio Carlos González, mas nenhuma contratação avançou. Pior: o imbróglio financeiro em torno de Santiago Sosa — o Vasco não depositou os US$ 2 milhões prometidos ao Racing na segunda-feira (3) e agora o clube argentino exige o pagamento integral dos US$ 4 milhões para dar sequência — expõe a fragilidade da gestão e trava uma peça que seria fundamental para dar fôlego ao meio-campo. Guilherme Estrella, de volta do empréstimo ao CRB, treina separado e não entra nos planos, evidenciando que o técnico já definiu quem fica e quem sai — mas o mercado precisa andar.
A leitura do Expresso98 é de que o Vasco mostrou, no Maracanã lotado, que ainda há munição para brigar. A vitória sobre o Fluminense não apaga os cinco tropeços recentes, mas reacende a chama: este time responde quando acredita, quando a torcida empurra e quando o adversário tem nome e história. Pedro Emanuel tem feito seu dever de casa nos treinos, ajustando peças e buscando equilíbrio; agora depende da diretoria cumprir promessas — literal e financeiramente — para viabilizar os reforços que o elenco pede a gritos. O Vasco não pode viver só de noites de glória contra rivais; precisa transformar esse combustível emocional em pontos no Brasileirão, a partir de já. O caminho é estreito, mas a história do clube ensina que, quando a Colina acredita, o impossível vira roteiro. Agora é traduzir a festa em trabalho — e trabalho em salvação.
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